Se você é líder empresarial e ainda acredita que inovação é um projeto pontual ou uma responsabilidade exclusiva de uma área específica, 2026 será o ano em que essa crença custará caro.
A inovação deixou de ser opção para se tornar questão de sobrevivência.
Mas aqui está o segredo que separa empresas que crescem de forma inteligente daquelas que apenas fazem barulho: entender que existem dois principais tipos de inovação e que ambos precisam coexistir no seu planejamento estratégico.
O que você está deixando de fora do seu plano?
Quando perguntamos aos executivos sobre inovação, a maioria pensa imediatamente em disrupção, em criar algo que nunca existiu, em virar o jogo completamente.
É compreensível. Cases como o da fusão entre Marfrig e BRF (que criou a MBRF Global Foods com receita de R$ 152 bilhões anuais) ou o iFood Turbo, com entregas em 10 minutos, dominam as conversas. São movimentos ousados que reescrevem as regras do mercado.
Mas enquanto você se concentra apenas no espetacular, pode estar perdendo o essencial: a inovação incremental. Aquela que melhora o que já existe, que torna seus processos mais eficientes, que eleva a experiência do cliente sem revolucionar tudo. É menos sexy, mas é ela que mantém sua empresa competitiva no dia a dia.
A verdade é que você precisa dos dois tipos. E precisa saber quando investir em cada um.
Inovação incremental: o poder de melhorar 1% todo dia
Pense na inovação incremental como o trabalho de um escultor refinando detalhes de uma obra já bela. É aperfeiçoamento contínuo, é eficiência operacional, é transformar bom em excelente.
A Nestlé Brasil entendeu isso perfeitamente. Em junho de 2025, anunciou um ciclo de investimento de R$ 7 bilhões até 2028 para modernizar suas 18 fábricas brasileiras com IA, machine learning, IoT e blockchain.
Não estão reinventando o chocolate ou o café, estão tornando a produção mais inteligente, mais rápida, mais sustentável. O resultado? Conquistaram o prêmio Valor Inovação Brasil 2025.
Outro exemplo impressionante vem da Ambev. Enquanto todos olhavam para seus lançamentos de produtos, a empresa silenciosamente se transformou numa “empresa de tecnologia e marcas”.
- A plataforma BEES hoje atinge 85% de sua base de 1 milhão de pontos de venda.
- O Zé Delivery responde por 6% do volume total da companhia.
- O BEES Bank oferece crédito digital via Pix para bares e restaurantes.
Cada uma dessas iniciativas melhorou incrementalmente a experiência de quem já era cliente.
Trabalhamos recentemente com o Moinho Régio, um dos maiores moinhos de trigo e milho do Brasil. O desafio era claro: como transformar cultura organizacional e processos sem perder o foco em resultados? Implementamos OKRs em mais de 130 colaboradores, revisamos processos críticos e desenvolvemos lideranças.
O resultado surpreendeu até a própria empresa: a meta de faturamento do segmento de milho prevista para 2028 foi atingida já em 2024. Quatro anos de antecipação. Isso é o poder da inovação incremental bem executada.
Inovação disruptiva: quando é hora de jogar xadrez em vez de damas
Mas a inovação incremental tem um limite. Você pode melhorar indefinidamente um processo, mas se o mercado mudar completamente, de nada adianta ser o melhor no jogo errado.
É aí que entra a inovação disruptiva. A fusão MBRF é um case perfeito. Marfrig e BRF não estavam apenas crescendo, estavam reconfigurando toda a indústria alimentícia brasileira. Criaram a 7ª maior empresa do Brasil por receita, com presença em 117 países e projeção de sinergias de R$ 485 milhões anuais.
Isso não é melhoria incremental. É reinvenção de modelo de negócio.
O iFood fez algo similar em agosto de 2025. O Turbo, com entregas em 10 a 20 minutos, não é apenas “delivery mais rápido”. É um modelo operacional completamente novo que exige entregadores posicionados estrategicamente e restaurantes pré-preparando itens. Já o iFood Hits democratizou o acesso com refeições a partir de R$ 15, mirando um público que antes estava fora do mercado.
Na Co-Viva, apoiamos a Ourofino Saúde Animal nos últimos três anos estruturando sua área de inovação aberta. Não estávamos melhorando produtos existentes, estávamos conectando a empresa a startups, universidades e laboratórios, criando corredores estratégicos para Pet, Suínos e Bovinos. Mapeamos tendências emergentes e orientamos investimentos em áreas com maior potencial disruptivo.
O resultado foi uma taxa de sucesso significativamente maior em projetos inovadores e alocação mais eficiente de recursos.
Como decidir onde investir: o framework dos 3 Horizontes
Aqui está a questão que todo CEO enfrenta: como equilibrar investimento entre melhorar o presente e construir o futuro?
A Matriz dos 3 Horizontes, metodologia que aplicamos em alguns clientes oferece clareza:
- Horizonte 1: Seu core business atual. Aqui, 70% do investimento deve ir para inovação incremental. É o que paga as contas hoje.
- Horizonte 2: Extensões do negócio atual. Reserve 20% para inovações adjacentes.
- Horizonte 3: Apostas transformacionais. Destine 10% para inovações disruptivas de longo prazo.
A armadilha comum? Empresas investem 95% no Horizonte 1 e depois se surpreendem quando um concorrente disruptivo aparece. Ou fazem o oposto: apostam tudo em moonshots ( H3) e quebram porque negligenciaram o presente.
Três perguntas para guiar seu planejamento 2026
Antes de fechar seu plano, responda com honestidade:
- Qual porcentagem do nosso orçamento de inovação está em cada horizonte? Se você não consegue responder com números claros, já tem um problema.
- Nossos concorrentes estão inovando incrementalmente ou disruptivamente? Se eles estão fazendo os dois e você só um, a distância vai aumentar rapidamente.
- Temos as competências certas para executar ambos os tipos de inovação? Inovação incremental exige disciplina operacional e metodologias ágeis.
Inovação disruptiva exige pensamento estratégico, tolerância ao risco e capacidade de experimentação.
São musculaturas diferentes.
O segredo está no equilíbrio
Quando estruturamos a trilha de inovação para a Unimed Federação Centro Brasileira em 2024, começamos treinando mais de 20 colaboradores em metodologias ágeis (Kanban, OKRs, Scrum) e depois introduzimos Engenharia da Imaginação para estimular inovação disruptiva.
O resultado foi aumento mensurável na maturidade de inovação e na capacidade de executar ideias.
Para a Lactalis Brasil, combinamos Design Thinking (inovação centrada no usuário) com OKRs (execução com clareza).
O time de TI se tornou mais colaborativo, criativo e alinhado às necessidades do negócio, equilibrando melhorias incrementais em sistemas existentes com desenvolvimento de soluções completamente novas.
A lição é simples: empresas que vencem em 2026 não escolhem entre eficiência e reinvenção. Elas fazem ambas, simultaneamente, com intencionalidade estratégica.
O curto prazo garante sua sobrevivência. O longo prazo constrói seu futuro. Ignore qualquer um dos dois e você estará jogando um jogo que já perdeu antes de começar.
No próximo artigo desta série, vamos detalhar as cinco perguntas estratégicas que todo líder deveria responder antes de fechar o planejamento de 2026.
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