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Inovação em 2026: por que foco e disciplina serão mais importantes do que boas ideias

POR ITAMAR OLÍMPIO, CEO CO-VIVA

Esse ano você não vai conseguir improvisar.  Entre Copa do Mundo, eleições municipais, feriados prolongados e a aceleração da IA generativa, o calendário já nasce comprimido.  Nesse contexto, empresas que ainda tratam inovação como um evento pontual aquele workshop inspirador ou o hackathon anual tendem a consumir recursos sem transformar isso em resultado concreto.

O ponto central não é falta de criatividade. Sete em cada dez líderes não têm clareza sobre qual direção seguir em inovação. O problema é mais profundo. Muitas organizações seguem confundindo movimento com progresso. Criam várias iniciativas ao mesmo tempo, mas poucas ganham tração de verdade.

Esse é o custo da dispersão

A falta de governança aparece como a principal dificuldade na execução de projetos de inovação no Brasil. E isso explica muita coisa. Quando tudo é prioridade, nada é.

O padrão se repete com frequência. A empresa cria uma área de inovação, aloca orçamento, contrata consultorias. Passados 18 meses, o que sobra são apresentações, aprendizados soltos e pouca mudança no negócio. Nesse cenário, a inovação deixa de ser investimento e passa a ser custo.

Esse desperdício costuma acontecer por três motivos principais:

  • O primeiro é a desconexão com a estratégia do negócio. Times de inovação operam em paralelo, sem diálogo consistente com as áreas que geram receita.
  • O segundo é a ausência de critérios claros de priorização. Projetos avançam por política interna ou por quem os patrocinou, não pelo impacto que podem gerar.
  • O terceiro é a falta de disciplina na execução. Pilotos que nunca escalam, testes que se prolongam indefinidamente, aprendizados que não viram decisão.

O segredo é o método

A saída passa por tratar inovação como sistema, não como exceção. Duas abordagens ajudam a estruturar isso de forma prática.

A primeira é a ambidestria organizacional. A lógica é simples. Empresas precisam, ao mesmo tempo, proteger o core business e construir o futuro. Proteger significa otimizar processos, melhorar produtos existentes e ganhar eficiência. Construir significa testar novos modelos, desenvolver capacidades diferentes e preparar transições.

A Unilever ilustra bem esse equilíbrio. Em 2024, a empresa adotou o plano de fazer menos, melhor e com maior impacto. Concentrando esforços em 30 Power Brands que representam 75% do faturamento e cresceram 8,6% no ano, ao mesmo tempo em que mantém estruturas separadas para inovações de maior risco, como seu hub de IA em Toronto e o laboratório de materiais sustentáveis em Liverpool. Mais de 23 mil funcionários foram treinados em IA, com mais de 500 projetos implementados na última década. O resultado foi uma margem operacional de 18,4%, a maior em dez anos, enquanto a empresa alimenta um pipeline consistente de novas plataformas.

Aqui está o ponto-chave. Ambidestria não é dividir recursos igualmente. É criar governança para decidir conscientemente quanto investir em cada horizonte.

A segunda ferramenta é o backlog de inovação priorizado por valor. Funciona como um backlog de produto, mas aplicado ao portfólio de iniciativas. Cada projeto é avaliado por alinhamento estratégico, potencial de retorno e viabilidade de execução. O que não pontua bem em nenhuma dessas dimensões sai da lista.

Na prática, poucas empresas aplicam esse rigor. Projetos continuam ativos por inércia, por vaidade ou pelo quanto já foi investido. Criar disciplina para encerrar o que não funciona libera foco e energia para o que realmente importa.

Práticas que funcionam no dia a dia

Traduzindo isso para a rotina das organizações, três práticas fazem diferença.

A primeira é definir poucos temas estratégicos. Dois ou três, no máximo. A pergunta é direta. Onde a inovação pode gerar vantagem competitiva real nos próximos 24 meses? Se a resposta for genérica demais, é sinal de que o tema ainda não está claro. 

A segunda é separar explicitamente os tipos de inovação. Incremental, adjacente e transformacional. Cada um exige métricas, governança e tolerância a risco diferentes.

Misturar tudo no mesmo funil costuma gerar frustração. Inovações incrementais precisam mostrar retorno em poucos meses. As transformacionais levam mais tempo e falham mais. Tratar tudo igual mata a inovação de ruptura.

A terceira é criar rituais trimestrais de decisão. Não há reuniões de status, mas momentos formais em que o portfólio é revisto, recursos são realocados e projetos são acelerados ou cancelados. Com presença da liderança executiva. Sem isso, inovação vira paralisia por comitê.

Perguntas que valem ser feitas agora

Se você lidera inovação, algumas perguntas ajudam a calibrar o cenário.

  • Quantos projetos de inovação estão rodando ao mesmo tempo? Acima de 15 costuma indicar dispersão.

     

  • Quanto do orçamento está comprometido com iniciativas que começaram há mais de 18 meses sem resultado claro? Se passar de 30%, o sinal de alerta está ligado.

     

  • Quantas decisões formais de cancelamento ou aceleração foram tomadas no último trimestre? Se nenhuma, provavelmente não há governança.

     

  • E, por fim, a liderança executiva consegue citar os três temas estratégicos de inovação sem recorrer a uma apresentação? Se não, falta clareza.

O que sobra quando o “hype” acaba

No dia a dia, é muito fácil confundir excesso de trabalho com inovação. Se o seu time está exausto, cheio de projetos novos, mas a operação continua travada em processos manuais e o custo só sobe, você não está inovando.

Em 2026, com o tempo curto e a atenção fragmentada, a inovação de verdade vai doer. Ela exige a coragem de dizer “não” para ideias interessantes para conseguir dizer “sim” para o que realmente mexe o ponteiro do lucro e devolve tempo para o que importa. 

Quer parar de testar e começar a implementar? No próximo artigo, nós detalhamos exatamente como montar essa engrenagem de execução: “Da estratégia ao resultado: como estruturar a inovação para gerar impacto real em 2026”.

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