O Brasil tem construído referências importantes em inovação — com polos tecnológicos e criativos espalhados por diferentes regiões e setores da economia.
Neste conteúdo, explicamos o que são esses polos, onde estão localizados e por que têm um papel fundamental no avanço da inovação nacional.
O que são polos de inovação?
São verdadeiros ecossistemas que reúnem empresas de diversos ramos e níveis, instituições que desenvolvem atividades de ensino e de pesquisa, além de órgãos do governo e organizações que atuam na área. No Brasil, eles ficam situados em algumas cidades e auxiliam principalmente para o compartilhamento de informações e conhecimentos que auxiliem no desenvolvimento de produtos, serviços e outros itens considerados inovadores para o mercado de consumo atual.
Por que surgiram, e qual a sua importância no desenvolvimento regional?
Os polos de inovação são uma resposta para as necessidades que muitos setores tinham, de ampliar suas informações sobre temáticas envolvendo negócios e suas várias camadas, sem depender diretamente dos grandes centros produtivos do país.
Seguindo uma tendência mundial que cresce nos anos 2000, o Brasil aprova em 2004 a Lei de Inovação (nº 10.973), além de inaugurar uma Política de Desenvolvimento Produtivo no ano de 2008 para colocar empresas, instituições de ensino e outros órgãos no mesmo nível de conversa e compartilhamento de informações e ideias. Para o desenvolvimento de regiões, os polos de inovação atuam principalmente no processo de descentralizar o acesso a informações e as oportunidades, garantindo que a maioria das regiões do país tenha acesso a itens atualizados, como pesquisas, dados, formações e profissionais.
Um estudo promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) em 2022 apontou que as regiões contempladas com um polo de inovação tiveram um crescimento de até 30% do seu PIB em relação às regiões que não os possuem.
Esses polos também contribuem para a economia, já que podem atrair empresas e gerar oportunidades de negócios em diversas áreas empresariais e profissionais.
Como eles impactam o ecossistema de inovação e o mercado de trabalho local?
Polos de inovação auxiliam a fortalecer e criar um ecossistema que interage a todo tempo, não apenas entre profissionais, mas empresas, universidades, entidades governamentais e não governamentais.
Isso se reflete principalmente em ações inovadoras que podem ser absorvidas por diversas empresas e setores, bem como o desenvolvimento de ideias novas, de produtos e de serviços, ou mesmo a melhoria deles. Além disso, há um fortalecimento expressivo no mercado de trabalho dessas regiões, que passam a concentrar profissionais altamente habilitados e capacitados para suas funções.
Esse movimento se reflete até mesmo na renda desses profissionais: dados de 2023 da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores) apontaram que empresas que atuam nesses polos de inovação oferecem empregos que pagam até 65% a mais do que a média salarial do país.
Com uma estrutura colaborativa bem definida, talentos qualificados e recursos direcionados de forma estratégica, esses polos entram em um ciclo contínuo de crescimento e desenvolvimento regional.
Os principais tipos de polos de inovação no Brasil — e o que diferencia cada um
Existem diversos tipos de polos de inovação, mas os mais conhecidos e ativos no Brasil nesse momento são:
- Polos Tecnológicos: que são focados em alta tecnologia, a exemplo do Porto Digital (PE), que reúne cerca de 350 empresas e é referência nacional em Economia Criativa.
- Parques Tecnológicos: locais que compreendem áreas totalmente planejadas para abrigar empresas que tenham base tecnológica, que é o caso do Parque Tecnológico da PUC (RS), o Tenopuc, que realiza diversas pesquisas em ramos como saúde, inteligência artificial e reúne grandes empresas como a Microsoft e a HP.
- Hubs de Inovação: os chamados espaços de colaboração e aceleração de startups, como o InovaHub da Unicamp (SP), que realiza pesquisa aplicada em várias áreas como deep tech e biotecnologia, e o HUB Salvador (BA), que cria conexões entre os governos locais e startups para trazer inovações como cidades inteligentes e novas práticas em saúde.
- Polos Setoriais: polos totalmente especializados em setores específicos, a exemplo do polo de biotecnologia em Ribeirão Preto (SP), que possui parceria com a USP e com empresas de biotecnologia para desenvolver itens em saúde e farmacêutica, ou o Parque Tecnológico da UFRJ (RJ), que atua juntamente com a Petrobrás e outras multinacionais para pesquisas e ações em gás, óleo e engenharia.
Basicamente, cada tipo de polo atende a necessidades específicas e pode abranger desde indústrias tradicionais em modernização, até mesmo setores emergentes, a exemplo da inteligência artificial e da biotecnologia.
Mas como observado, eles não se concentram mais no sudeste do país, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, e agora acontecem em regiões como o nordeste.
A relação com políticas públicas e investimento em P&D
Para finalizar, é importante compreendermos que, embora atuantes, esses polos não surgiram ao acaso, e são reflexo direto da atenção dada por empresas e pelo governo para essa área, a partir de investimentos e políticas públicas bem estruturadas para propiciar o seu desenvolvimento.
Atividades como a Finep, CNPq e Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia são de suma importância para incentivar polos do tipo, bem como investimentos financeiros. Porém, apesar dos muitos avanços, estima-se que o Brasil ainda investe menos em P&D do que países desenvolvidos: 1,17% do PIB, contra a média de 2,47% da OCDE, segundo dados do IBGE.
Assim, embora com uma estrutura que começa a se destacar, os polos de inovação ainda precisam de atenção para propiciarem o que as empresas e os governos mais desejam: um futuro promissor!
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