A inteligência artificial virou pauta recorrente nas reuniões de diretoria. Hoje, muitas empresas já reservam parte do orçamento para “fazer algo com IA”. O problema é que poucas desenvolveram a cultura de inovação necessária para transformar essa tecnologia em resultados concretos. E é justamente aí que o investimento começa a se perder.
Esse movimento é compreensível. A pressão vem de todos os lados: do conselho, do mercado e dos concorrentes, que anunciam novas iniciativas de IA a todo momento. Como resposta, muitas empresas compram licenças de ferramentas, contratam um Chief AI Officer ou criam um comitê dedicado ao tema. Mas, sozinha, nenhuma dessas medidas resolve o problema.
O erro comum: tratar IA como ferramenta isolada
Comprar IA antes de resolver o problema de fundo é como entregar um carro de Fórmula 1 para alguém que nunca aprendeu a dirigir. A potência está disponível. O que falta é a capacidade de aproveitá-la.
E esse problema de fundo, na maioria das vezes, não é técnico, mas cultural. Times que não sabem experimentar, testar hipóteses e aprender rapidamente com os erros dificilmente conseguirão extrair valor da inteligência artificial. Em vez de transformar a forma de trabalhar, apenas automatizarão processos ineficientes.
Afinal, a IA não corrige um processo ruim. Ela apenas acelera aquilo que já existe, seja bom ou ruim.
Os números reforçam esse cenário. Apenas 25% das empresas brasileiras têm pelo menos um caso de uso de IA em operação, um avanço em relação aos 12% registrados anteriormente.
Ainda assim, os principais obstáculos não são o custo das ferramentas nem a falta de acesso à tecnologia, mas a infraestrutura e a escassez de profissionais preparados para utilizá-la. O desafio, portanto, está na maturidade da organização.
Outro dado chama a atenção: apenas 7% das empresas brasileiras calculam o retorno sobre o investimento (ROI) das iniciativas de IA que implementam.
Muitas compram a ferramenta, divulgam a novidade e a incluem em seus relatórios institucionais, mas não conseguem medir se ela realmente gerou resultados. Isso não é uma estratégia de inovação. É apenas a aparência de inovação.
O padrão do teatro de inovação
Contratar um Chief AI Officer não é, por si só, um erro. Investir em uma boa ferramenta também não. O problema é acreditar que essas iniciativas, isoladamente, são suficientes para transformar a empresa.
Sem uma cultura preparada para inovar, elas acabam servindo mais para sinalizar modernidade do que para gerar mudanças reais.
É o cargo criado para mostrar que a empresa “está investindo em IA”. É a licença que permanece subutilizada porque ninguém consegue incorporá-la ao dia a dia. É o comitê que se reúne, apresenta relatórios e encerra a reunião sem alterar a forma como as decisões são tomadas.
Há movimento, mas pouca transformação.
Apontar esse cenário não é cinismo. É reconhecer um padrão que se repete em muitas organizações. Na maioria das vezes, a intenção é boa. O que falta é construir a base necessária para que a tecnologia realmente entregue valor.
O que muda quando a cultura já existe antes da ferramenta
Agora imagine o cenário oposto. Pense em um time que já sabe formular hipóteses, testar soluções de forma ágil, analisar resultados sem apego às próprias ideias e ajustar a rota rapidamente. O que acontece quando a IA chega a esse contexto?
Ela passa a atuar como um amplificador. O ciclo de experimentação, que já era eficiente, ganha velocidade. Os testes se tornam mais rápidos, as análises mais consistentes e as oportunidades de melhoria aumentam. A tecnologia encontra um ambiente preparado para extrair valor do seu potencial.
É justamente aí que está a inversão que muitas empresas fazem. A IA não cria uma cultura de inovação nem desenvolve maturidade organizacional. Ela potencializa aquilo que já existe.
Onde há uma cultura de experimentação, multiplica-se os resultados. Onde ela não existe, apenas acelera processos ineficientes, tornando o desperdício mais rápido e, muitas vezes, mais caro.
A cultura vem antes da ferramenta
Metodologias de inovação existem para construir essa base. O Imagineering (engenharia da imaginação) metodologia utilizada exclusivamente no Brasil pela Co-Viva, treina o time a projetar experiências partindo do impacto desejado, não da tecnologia disponível.
Já a Theory U trabalha a capacidade de perceber o problema com profundidade antes de saltar para a solução, o antídoto exato contra o reflexo de “comprar ferramenta e ver no que dá”.
O que essas abordagens têm em comum é simples: colocam a capacidade de pensar e experimentar antes da ferramenta.
Constroem o piloto antes de entregar o avião. E é por isso que empresas com cultura de inovação madura extraem da IA um retorno que as outras não conseguem, mesmo usando exatamente a mesma tecnologia.
Antes de comprar a próxima ferramenta
Se a sua empresa está sob pressão para “fazer algo com IA”, vale fazer uma pergunta antes de assinar o próximo contrato: seu time sabe experimentar? Sabe testar hipóteses, aprender com os resultados e mudar de direção quando necessário? Se a resposta for incerta, é provável que o investimento em tecnologia entregue menos valor do que poderia.
A maturidade em inovação não surge da noite para o dia, mas pode ser desenvolvida. E é justamente ela que diferencia as empresas que usam a IA para transformar seus negócios daquelas que apenas automatizam, de forma mais rápida, os mesmos processos de sempre.
Quer entender o nível de maturidade da cultura de inovação da sua empresa antes de investir em novas ferramentas? A Co-Viva realiza palestras e diagnósticos que ajudam a identificar onde a IA já pode potencializar resultados e quais competências ainda precisam ser fortalecidas. Vamos conversar.
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