Passei sete dias imerso no SXSW 2026 e voltei com uma notícia que pode ser boa ou ruim para o seu negócio, e que só reforça uma convicção que eu já tinha: não estamos mais explorando o potencial da tecnologia; agora, lidamos com suas implicações reais nos negócios e na sociedade.
Mais do que uma simples ferramenta, a Inteligência Artificial passou a ocupar a pauta estratégica das organizações. Dessa forma, ignorá-la no planejamento do seu negócio não é apenas um descuido, mas uma perda irreparável de tempo. Nesse novo cenário, o ponto central do debate deixa de ser sobre qual IA adotar e passa a focar em como ela pode, de fato, ajudar a nossa empresa a crescer e a inovar.
Governança e o “Como Governar”
Organizações como Spotify mostraram como IA já está integrada à tomada de decisão, personalização e criação de produtos. No entanto, o foco central do evento não foi a tecnologia em si, mas a crescente preocupação com governança, ética e segurança. Casos discutidos no evento mostraram riscos concretos de vieses algorítmicos, uso indevido de dados e decisões automatizadas sem accountability clara. A pergunta não é mais “como escalar IA”, mas “como governar IA”.
Casos debatidos no evento trouxeram exemplos concretos: algoritmos enviesados impactando decisões de crédito, uso indevido de dados sensíveis e modelos generativos criando conteúdos sem rastreabilidade clara.
Mas o que eu posso fazer para minimizar esses “conflitos da IA”? Minha sugestão é criar um comitê de governança de IA, estabelecer diretrizes claras de uso e implementar revisões periódicas de risco nos algoritmos utilizados.
Mattering e a Conexão Humana
Outro conceito que ganhou força foi o de “mattering”. A ideia de que pessoas precisam sentir que importam, não apenas como discurso, mas como experiência concreta.
A sigla SAID (Seen, Acknowledged, Included, Delighted), em português, (Visto, Reconhecido, Incluído, Encantado), apareceu como um framework simples e poderoso.
Kasley Killam, referência global em saúde social, reforçou que empresas com alto nível de conexão social apresentam melhores indicadores de engajamento, inovação e performance.
Eu recomendo a liderança e o RH a estudar e pesquisar mais sobre estes dois poderosos conceitos e revisar jornadas de colaboradores e clientes com base no SAID.
Perguntem: onde as pessoas não estão se sentindo vistas ou reconhecidas? E monte um plano de ação para encantá-las.
A Era do Super-Humano
Amy Webb trouxe uma das contribuições mais estratégicas do evento: o futuro será definido por convergências tecnológicas.
IA, biotecnologia e sensores estão deixando de evoluir de forma isolada e passando a criar sistemas integrados.
Um dos exemplos foi o uso de sensores contínuos de saúde combinados com IA preditiva, permitindo intervenções médicas antes mesmo do surgimento de sintomas.
Outro ponto que chamou minha atenção foi o potencial da tecnologia de nos tornar até 60% mais produtivos. Estamos entrando na era da “humanidade aumentada”.
Isso significa descansar melhor, com soluções como camas integradas com IA; ser mais eficientes, com dispositivos como óculos inteligentes; e até reduzir o esforço físico em tarefas do dia a dia, como mostram iniciativas como a da Mo/Go, que desenvolve próteses para potencializar a caminhada.
O MIT, por sua vez, com sua lista das “10 Breakthrough Technologies”, reforçou essa direção, destacando agentes autônomos de IA, interfaces cérebro-computador e novas soluções energéticas.
O que você, líder pode fazer com tudo isso?
Pare de olhar tendências isoladas. Estruture um radar de inovação que identifique interseções entre tecnologias e seus impactos no seu setor.
Neil Redding provocou o público com o conceito de “clockdrift”. Sem tradução direta para o português, ele parte de uma ideia simples: estamos vivendo em tempos diferentes. Máquinas operam em milissegundos, organizações em ciclos trimestrais e humanos em ritmos emocionais. Esse desalinhamento já está gerando fricções desde decisões precipitadas até sobrecarga de equipes Na prática, isso exige da liderança um redesenho das cadências de decisão e dos rituais de gestão, equilibrando velocidade com a capacidade humana de absorção.
Outro ponto relevante foi o avanço dos hologramas e das experiências imersivas. Marcas globais já testam atendimentos, treinamentos e interações em ambientes tridimensionais. Eu mesmo experimentei um equipamento de “haptic sharing”, que permite compartilhar sensações físicas digitalmente. Conectado à minha mão, ele promete transmitir parte das sensações de um artista durante uma performance ao vivo.
E aqui surge um dos principais paradoxos do SXSW: quanto mais a tecnologia avança, mais o humano ganha valor.
Michelle Schneider e Ian Beacraft, ao discutirem o futuro do trabalho, foram diretos: o profissional do futuro não será definido apenas por habilidades técnicas, mas pela capacidade de aprender, se adaptar e se relacionar. Isso converge com estudos do World Economic Forum (2025), que apontam pensamento crítico, criatividade e inteligência emocional como competências centrais.
Além disso, o modelo tradicional de trabalho tende a se fragmentar. Em vez de uma única atuação formal, veremos múltiplas formas de trabalho coexistindo ao longo da jornada profissional.
E talvez a síntese mais marcante tenha vindo da última sessão que eu vi: “Craft Still Wins: The Irreplaceable Role of Human Instinct, Taste, and Emotion”, ou ,“A habilidade artesanal ainda vence: o papel insubstituível do instinto humano, do bom gosto e da emoção”, em português. Em um cenário de IA generativa, o diferencial competitivo está na curadoria, no repertório e no senso humano.
Vemos isso em marcas que se destacam não pela tecnologia que usam, mas pela experiência que criam.
A edição mais transformadora do SXSW
Para fechar, compartilho um aprendizado pessoal.
Este foi meu quarto ano como mentor no SXSW e, sem dúvida, o mais transformador. Tive a oportunidade de mentorar profissionais de diversos países e, ao mesmo tempo, ser mentorado.
Uma conversa marcante foi com Cady Coleman, ex-astronauta da NASA, que trouxe uma visão profunda sobre liderança em ambientes extremos: clareza de propósito, confiança no time e resiliência sob pressão.
Se eu tivesse que sintetizar o SXSW 2026 em uma mensagem para CEOs e executivos, seria simples: invista em tecnologia, mas lidere com humanidade.
O futuro será exponencial, complexo e orientado por dados. Mas as organizações que irão prosperar serão aquelas que conseguirem equilibrar inteligência artificial com inteligência NÃO artificial, a inteligência humana.
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