Quando o mercado muda, é comum começar pela concorrência: o que o concorrente lançou, quanto está cobrando, quais clientes conquistou. Essas informações são úteis. Mas não são suficientes para orientar uma estratégia.
O Wardley Mapping propõe começar por outra pergunta: O que precisa existir para que o cliente receba o que estamos oferecendo? A partir daí, é possível entender quais componentes são importantes para o negócio, quais podem ser comprados e onde ainda existe espaço para diferenciação.
Estratégia não começa pela concorrência
Uma análise baseada apenas nos concorrentes mostra quem está disputando o mesmo mercado e quais movimentos essas empresas estão fazendo.
Ela não mostra, necessariamente, quais componentes sustentam o negócio ou como esses componentes estão evoluindo.
O Wardley Mapping organiza essa análise em um mapa.
De um lado, estão as necessidades do cliente. A partir delas, você identifica os componentes necessários para entregar aquele resultado e observa como cada componente está posicionado em relação ao mercado.
A ferramenta foi desenvolvida por Simon Wardley a partir de trabalhos realizados enquanto atuava em estratégia e tecnologia. O conceito começou a ser desenvolvido em meados dos anos 2000 e posteriormente foi formalizado por Wardley em seus trabalhos sobre estratégia.
O que precisa existir para o cliente comprar de você
Todo produto ou serviço depende de outros componentes.
Alguns são percebidos diretamente pelo cliente. Outros existem apenas para viabilizar a entrega.
Considere uma escola de cursos online.
O aluno percebe o conteúdo, a plataforma de aulas e o certificado. Mas a operação também depende de hospedagem, processamento de pagamentos, autenticação, armazenamento de dados e outros serviços de infraestrutura.
O mapa começa identificando essa cadeia.
A pergunta não é apenas “o que vendemos?”.
É:
“Do que precisamos para entregar o que vendemos?”
Essa visão ajuda a identificar dependências que normalmente ficam espalhadas entre diferentes áreas da empresa.
Nem todo componente precisa ser desenvolvido internamente
Depois de identificar os componentes, o próximo passo é observar o estágio de evolução de cada um.
Alguns componentes ainda são novos ou específicos. Poucas empresas oferecem aquele recurso e pode haver espaço para desenvolvimento e diferenciação.
Outros já são amplamente disponíveis e padronizados. Nesses casos, existem fornecedores, preços de referência e soluções prontas.
Esse movimento é importante para a estratégia porque o que hoje exige desenvolvimento interno pode, com o tempo, se tornar um serviço disponível no mercado.
Hospedagem de aplicações é um exemplo. Empresas costumavam precisar manter grande parte dessa infraestrutura internamente. Hoje, serviços de computação em nuvem permitem contratar capacidade conforme a necessidade.
Isso não significa que todo componente maduro devadeve ser terceirizado. Significa que a decisão precisa considerar o estágio daquele componente e sua importância para a estratégia.
O que o mapa permite enxergar
O Wardley Mapping combina duas informações:
- Dependência: quais componentes são necessários para entregar uma determinada necessidade do cliente.
- Evolução: em que estágio cada componente está e como sua posição no mercado pode mudar.
Essa combinação ajuda a identificar onde faz sentido desenvolver capacidades próprias e onde soluções existentes podem atender melhor à necessidade.
Também ajuda a perceber mudanças antes que elas apareçam diretamente na concorrência.
Se uma tecnologia começa a se tornar padronizada, por exemplo, empresas que ainda investem muitos recursos para desenvolvê-la internamente podem estar direcionando capacidade para uma área que deixou de ser estratégica.
Um exemplo de mapa estratégico
Volte à escola de cursos online.
Podemos considerar quatro componentes:
- Método de ensino: desenvolvido internamente e diretamente relacionado à proposta de valor.
- Plataforma de aulas: necessária para a entrega, mas existem diversas soluções disponíveis.
- Emissão de certificados: necessária para a operação, mas pode ser realizada por serviços especializados.
- Hospedagem e infraestrutura: fundamentais para o funcionamento, mas amplamente disponíveis como serviço.
O mapa ajuda a separar essas decisões.
O método pode justificar investimento interno porque está relacionado à forma como a escola se diferencia.
A plataforma pode exigir menos desenvolvimento próprio se uma solução disponível no mercado atender aos requisitos.
Certificados e infraestrutura provavelmente não precisam ser construídos internamente, a menos que exista alguma necessidade específica que justifique isso.
O ponto não é simplesmente “faça internamente o que é diferencial e compre o restante”.
É entender por que cada componente está recebendo recursos e se essa decisão ainda faz sentido.
O que muda quando o mercado evolui
Um planejamento estratégico pode registrar uma decisão válida hoje e ainda assim ficar desatualizado alguns meses depois.
Isso acontece porque os componentes do negócio continuam evoluindo.
Uma tecnologia pode se tornar mais acessível. Um novo fornecedor pode surgir. Uma capacidade antes rara pode se tornar padrão. Uma mudança regulatória pode alterar a cadeia de valor.
Por isso, um mapa não deve ser tratado como um documento estático.
Ele pode ser revisitado conforme o contexto muda.
A pergunta passa a ser:
O que mudou desde a última vez que analisamos essa cadeia?
Essa atualização pode revelar que uma capacidade que justificava investimento interno deixou de ser estratégica ou que uma nova área passou a exigir atenção.
Estratégia também envolve decidir onde não investir
Toda empresa tem recursos limitados.
A questão estratégica não é apenas identificar onde investir. É decidir onde não investir.
Se um componente já é amplamente disponível, desenvolver uma solução própria pode não gerar vantagem competitiva.
Se outro componente é raro e está diretamente relacionado à proposta de valor, depender de um fornecedor pode criar uma vulnerabilidade.
O Wardley Mapping ajuda a colocar essas escolhas no mesmo contexto.
Em vez de avaliar cada iniciativa isoladamente, você consegue observar como elas se relacionam com o que o cliente precisa e com a evolução do mercado.
A pergunta deixa de ser “o que devemos fazer?”
Em vez de começar pela ação, o mapa organiza algumas perguntas:
O que o cliente precisa?
Quais componentes são necessários para entregar isso?
Em que estágio cada componente está?
Como esse estágio está mudando?
A partir dessas respostas, algumas decisões ficam mais fáceis de avaliar.
Você pode descobrir que está desenvolvendo algo que já existe no mercado. Que está terceirizando uma capacidade importante para o negócio. Ou que uma mudança tecnológica abriu uma nova possibilidade.
O mapa não determina a decisão. Ele organiza as informações para que ela seja tomada com mais contexto.
Por isso, a análise não termina quando o mapa fica pronto.
O que faz sentido construir hoje pode não fazer sentido amanhã. E uma mudança em um componente pode alterar decisões em outras partes do negócio.
um componente pode alterar decisões em outras partes do negócio.
Se sua empresa está revisando a estratégia, esse é um dos exercícios que podemos fazer em um diagnóstico gratuito. A partir da cadeia de valor do negócio, identificamos os componentes que sustentam a entrega, como eles estão evoluindo e o que isso pode mudar nas próximas decisões.
Faz sentido para você? Se sim, entre em contato 🙂
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